Como pontua o sacerdote Jose Eduardo De Oliveira e Silva, a dedicação excessiva às obras em detrimento da vida de oração é uma das armadilhas mais sutis que podem afligir aqueles que servem ao Reino. A eficácia da missão não se mede pelo número de eventos realizados, mas pela profundidade da união com Cristo que sustenta cada gesto.
Neste artigo, discutiremos a natureza da chamada heresia da ação, os sinais de esgotamento espiritual e as estratégias para manter o coração centrado no essencial. Aprenda a identificar o perigo do ativismo pastoral em sua rotina e descubra como recuperar a alegria do serviço através de uma espiritualidade equilibrada e fecunda.
Como o perigo do ativismo pastoral compromete a identidade do ministro?
A confusão entre o ser e o fazer é o primeiro passo para que o sacerdote perca a sua bússola espiritual em meio às inúmeras demandas administrativas e sociais. Conforme explica o Pe. Jose Eduardo De Oliveira e Silva, a identidade presbiteral não se fundamenta na produtividade, mas na configuração ontológica a Jesus, o Bom Pastor.
Quando as reuniões, as construções e a burocracia ocupam o lugar reservado ao breviário e à meditação, o ministro começa a falar de Deus apenas por rotina e não por experiência. O perigo do ativismo pastoral reside na descaracterização do ministério, transformando o pai espiritual em um mero gestor de organizações religiosas, desprovido do fogo que inflama os corações.
Quais são as raízes espirituais do perigo do ativismo pastoral?
A necessidade de se sentir útil e reconhecido pela comunidade pode ocultar um orgulho sutil que acredita que o Reino de Deus depende apenas do esforço humano. Jose Eduardo De Oliveira e Silva ressalta que o ativista desordenado sofre de uma espécie de pelagianismo prático, esquecendo-se de que é Deus quem concede o crescimento e a fecundidade.
O perigo do ativismo pastoral alimenta-se da ilusão de que a quantidade de tarefas é proporcional à santidade ou ao sucesso da evangelização. Sem a oração que precede e acompanha a ação, o trabalho torna-se estéril e a caridade transforma-se em um ativismo filantrópico sem alma e sem esperança sobrenatural.

Como restaurar o equilíbrio diante do perigo do ativismo pastoral?
A cura para a agitação estéril passa invariavelmente pela recuperação do silêncio contemplativo e pela redescoberta do valor do descanso no Senhor. Jose Eduardo De Oliveira e Silva ressalta que o exemplo de Jesus, que se retirava para lugares desertos para orar após longas jornadas de pregação, deve ser a norma de vida para todo consagrado.
O perigo do ativismo pastoral é vencido quando o ministro aprende a dizer não ao que é secundário para dizer sim ao encontro pessoal com a Verdade. A liturgia das horas e a adoração eucarística deixam de ser obrigações legais para se tornarem o refúgio necessário onde a alma recupera a sua força e o seu sentido missionário.
A valorização da vida comunitária e da fraternidade presbiteral atua como um suporte vital contra o isolamento causado pelo excesso de trabalho
A partilha das dificuldades e o apoio mútuo entre os clérigos ajudam a manter a sanidade emocional e a retidão de intenção no serviço. Ao combatermos o perigo do ativismo pastoral com uma espiritualidade sólida, garantimos que a nossa ação seja um transbordamento da nossa contemplação. Que cada atividade paroquial seja uma extensão da Missa celebrada, onde o amor a Deus e o serviço ao próximo se unem em uma única oblação santa, capaz de renovar a Igreja e transformar o mundo pelo poder da graça.
O ativismo é o cupim da vida espiritual, corroendo por dentro a estrutura da fé enquanto a aparência externa parece intacta. Que o Senhor nos conceda a graça de sermos servos humildes e operosos, mas que nunca deixemos de ser, acima de tudo, amigos íntimos dAquele que nos chamou para estar com Ele antes de nos enviar a pregar.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

