Na análise de Tiago Schietti, falar sobre a própria morte ainda causa desconforto em grande parte da sociedade brasileira. No entanto, o planejamento funerário em vida vem ganhando espaço de forma gradual e consistente, impulsionado por mudanças demográficas, econômicas e culturais. Cada vez mais pessoas passam a enxergar esse planejamento não como um assunto mórbido, mas como um gesto de cuidado, responsabilidade e organização.
Esse movimento revela uma transformação importante na forma como a sociedade lida com o fim da vida. Planejar antecipadamente questões funerárias deixa de ser apenas uma decisão prática e passa a representar autonomia, respeito aos próprios desejos e proteção emocional para familiares e pessoas próximas. Ao longo deste texto, exploraremos como essa mudança vem se consolidando e quais impactos gera nas relações familiares e sociais.
O que é o planejamento funerário em vida?
O planejamento funerário em vida consiste na organização prévia de serviços, escolhas e decisões relacionadas ao momento da despedida. Isso pode incluir desde a contratação de planos funerários até a definição do tipo de cerimônia, local de sepultamento ou cremação, além de detalhes simbólicos e culturais.
Ao contrário do que muitos imaginam, esse planejamento não significa antecipar o fim, mas sim reduzir incertezas. No entendimento de Tiago Schietti, ele permite que a pessoa manifeste suas vontades de forma consciente, evitando que familiares tenham de tomar decisões difíceis em um momento de fragilidade emocional.
Por que o planejamento funerário cresce no Brasil?
Diversos fatores explicam o crescimento do planejamento funerário em vida no Brasil. Um dos principais é o envelhecimento da população, que traz maior consciência sobre o ciclo da vida e a importância de se preparar para todas as suas etapas.
Outro fator relevante é a mudança no perfil das famílias. Famílias menores, relações mais dispersas geograficamente e rotinas intensas fazem com que muitas pessoas busquem soluções que reduzam o impacto emocional e operacional sobre seus entes queridos.

Questões econômicas também influenciam esse crescimento. O planejamento antecipado permite parcelamento, controle de custos e proteção contra aumentos futuros de preços, o que se torna especialmente relevante em períodos de instabilidade econômica.
Planejamento em vida é só uma questão financeira?
Segundo Tiago Schietti, embora o aspecto financeiro seja um dos motivadores, o planejamento funerário em vida vai muito além do custo. Trata-se também de um processo emocional e simbólico, que envolve refletir sobre a própria trajetória, valores e a forma como se deseja ser lembrado.
Muitas pessoas encontram nesse planejamento uma forma de aliviar o peso emocional dos familiares, evitando conflitos, dúvidas ou decisões tomadas sob pressão. Para outras, é uma oportunidade de personalizar a despedida, alinhando o ritual à própria história de vida.
Esse aspecto humanizado transforma o planejamento funerário em um ato de cuidado coletivo, que beneficia não apenas quem planeja, mas todos os envolvidos.
O papel das empresas funerárias nesse processo
Com o crescimento do planejamento funerário em vida, as empresas do setor passam a desempenhar um papel mais consultivo e educativo. O atendimento deixa de ser exclusivamente reativo e passa a envolver diálogo, escuta ativa e orientação responsável.
Esse novo papel exige preparo técnico e emocional das equipes, além de comunicação clara, ética e transparente, como frisa Tiago Schietti. A confiança se torna um elemento central, já que o cliente está tomando decisões sensíveis em um momento de plena consciência.
Benefícios do planejamento funerário em vida
Entre os principais benefícios desse tipo de planejamento assim como elucida Tiago Schietti, destacam-se:
- Redução do impacto emocional sobre familiares;
- Maior clareza e respeito às vontades individuais;
- Previsibilidade e organização financeira;
- Evita decisões urgentes em momentos de luto;
- Possibilidade de personalização da despedida;
- Maior tranquilidade para todos os envolvidos.
Esses benefícios ajudam a explicar por que o tema vem deixando de ser tabu e ganhando espaço em diferentes faixas da população.
Planejar em vida como gesto de cuidado e consciência
Em conclusão, o crescimento do planejamento funerário em vida reflete uma sociedade que começa a lidar de forma mais madura com o fim da vida. Planejar não significa antecipar a perda, mas sim assumir o controle sobre decisões importantes e proteger quem fica. Planejar em vida, nesse contexto, passa a ser um gesto de cuidado, dignidade e responsabilidade social.
Autor: Otávio Costa

