O projeto para instalar o trecho da Linha 5 dentro de um túnel sob o Lago Michigan ganhou força em 2025 ao receber apoio direto do então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assim como destaca Paulo Roberto Gomes Fernandes. A iniciativa buscava substituir o segmento submerso do oleoduto operado pela canadense Enbridge, cuja integridade passou a ser questionada após o arraste de uma âncora em 2018, episódio que quase gerou um grave desastre ambiental. Durante esse período, especialistas do setor, entre eles Paulo Roberto Gomes Fernandes, destacaram a relevância estratégica da infraestrutura para o Canadá e para várias regiões dos Estados Unidos.
Departamento de Justiça interveio em disputas judiciais locais
O Departamento de Justiça apresentou, naquele ano, uma declaração de interesse em um tribunal federal, argumentando que as tentativas do Estado de Michigan de suspender a operação da Linha 5 interferiam nas atribuições federais relacionadas à segurança energética e às relações exteriores. Autoridades federais afirmaram que Michigan buscava ultrapassar limites regulatórios ao tentar invalidar permissões concedidas à Enbridge.
Para observadores do setor, como Paulo Roberto Gomes Fernandes, a mobilização federal evidenciou a complexidade jurídica e geopolítica da obra, que envolvia acordos internacionais, disputas estaduais e impactos socioeconômicos relevantes.
Histórico do oleoduto e decisões que reacenderam o debate
A Linha 5, com mais de sete décadas de operação, transportava petróleo leve e líquidos de gás natural entre Alberta, Wisconsin e Ontário, atravessando os estreitos que conectam os lagos Huron e Michigan. Um acordo firmado em 2018 pelo então governador Rick Snyder com a Enbridge previa a construção de um túnel protetor, mas as administrações seguintes, lideradas por Gretchen Whitmer e pela procuradora-geral Dana Nessel, questionaram judicialmente a continuidade da operação.
Em 2021, o governo canadense invocou um tratado bilateral de 1977, até então nunca utilizado, para salvaguardar oleodutos transfronteiriços. As disputas seguiram em instâncias estaduais e federais, enquanto o projeto do túnel avançava em sua fase técnica.
Túnel de alta complexidade utilizará tecnologia brasileira
O projeto apresentado pela Enbridge previa um túnel construído a 30 metros abaixo do fundo do lago, com extensão total de sete quilômetros. A obra exigiria enfrentar um trecho de 3,5 quilômetros de declive e outros 3,5 quilômetros de aclive, com apenas cinco metros de diâmetro, condições que tornavam a instalação dos dutos um desafio inédito.

Para essa etapa, a empresa planejava utilizar a tecnologia patenteada da Liderroll, baseada em roletes motrizes apropriados para lançamento de tubulações em túneis. Essa solução já havia sido aplicada com êxito em projetos no Brasil, como o Gasduc e o Gastau. Especialistas, incluindo Paulo Roberto Gomes Fernandes, que acompanhou o avanço das discussões, apontaram que essa abordagem poderia garantir precisão, segurança e eficiência operacional à obra.
Em entrevistas posteriores, Paulo Roberto Gomes Fernandes reiterou que o desafio seria um dos mais complexos já enfrentados pela equipe da empresa brasileira, destacando o potencial de aplicação tecnológica no mercado norte-americano.
Impasses judiciais continuaram no estado de Michigan
Enquanto o governo federal defendia a manutenção da Linha 5, ações movidas por grupos ambientais e comunidades indígenas continuaram em tribunais de Michigan. Os processos buscavam questionar licenças estaduais e revogar a servidão que permitia a operação do oleoduto. Paralelamente, discussões na Suprema Corte dos EUA avaliavam se a disputa deveria ser julgada no âmbito estadual ou federal.
O Departamento de Justiça argumentou que permitir que estados criassem regras próprias para oleodutos interestaduais resultaria em um mosaico regulatório impraticável, prejudicando negociações internacionais e a segurança energética dos EUA.
Caminho para aprovação técnica se consolidou
Engenheiros responsáveis pela avaliação estrutural do túnel haviam aprovado os aspectos técnicos do projeto, reforçando a viabilidade da instalação. Segundo análises técnicas repercutidas à época, a solução subterrânea aumentaria a segurança operacional e reduziria significativamente o risco de danos ambientais.
Para profissionais do setor, como Paulo Roberto Gomes Fernandes, o avanço representou não apenas uma solução técnica, mas também um marco de cooperação entre engenharia, política pública e segurança energética.
Autor: Otávio Costa

