Entre os principais desafios da saúde pública atual está o diagnóstico precoce do câncer de pulmão. Gustavo Khattar de Godoy acompanha essa discussão de perto, já que parte de sua atuação profissional está ligada ao diagnóstico por imagem aplicado ao tórax. A doença permanece entre as neoplasias com maior índice de mortalidade no Brasil, o que reforça a relevância de discutir os métodos diagnósticos disponíveis e os avanços tecnológicos que têm ampliado sua precisão.
Quer saber mais? No artigo a seguir, tratamos sobre a relação do diagnóstico por imagem e seus impactos para a saúde.
Por que o câncer de pulmão ainda preocupa a saúde pública?
O câncer de pulmão costuma ser diagnosticado em fases avançadas, quando as opções terapêuticas já são mais limitadas. Boa parte dos casos está associada ao tabagismo, mas fatores ambientais e genéticos também contribuem para o desenvolvimento da doença. A ausência de sintomas claros nos estágios iniciais dificulta a procura por avaliação médica, o que aumenta a importância de programas de rastreamento voltados a grupos de risco.
Profissionais de diferentes áreas da saúde têm reforçado a necessidade de incluir esse rastreamento em protocolos clínicos de rotina, principalmente porque a demora no diagnóstico, em muitos casos, está mais relacionada à falta de acesso a exames adequados do que à ausência de sintomas perceptíveis pelo paciente.
Campanhas de conscientização sobre os riscos do tabagismo também desempenham papel relevante nesse cenário, informa o médico com especialização em radiologia e diagnóstico por imagem, Gustavo Khattar de Godoy. Reduzir a exposição a fatores de risco conhecidos, ao lado da ampliação do rastreamento por imagem, compõe uma estratégia mais completa de prevenção e controle da doença.
Tecnologias de diagnóstico por imagem aplicadas ao tórax
A tomografia computadorizada de baixa dose tem se consolidado como um dos principais recursos para identificar nódulos pulmonares em fases iniciais. Conforme indica Gustavo Khattar de Godoy, a evolução dos equipamentos permitiu reduzir a exposição à radiação sem comprometer a qualidade das imagens. Outros métodos, como a ressonância magnética e a tomografia por emissão de pósitrons, complementam a investigação em casos específicos, principalmente quando há suspeita de disseminação da doença.

Cada uma dessas técnicas tem indicações próprias. Nesse quesito, a escolha do método mais adequado depende de fatores clínicos individuais, do estágio suspeito da doença e da disponibilidade de equipamentos na rede de atendimento.
O impacto da detecção precoce nos desfechos clínicos
Pacientes diagnosticados em estágios iniciais apresentam taxas de sobrevida significativamente maiores em comparação aos casos identificados tardiamente. Estudos populacionais mostram redução expressiva na mortalidade quando o rastreamento é incorporado a rotinas clínicas voltadas a fumantes ou ex-fumantes com histórico relevante. A ampliação do acesso a exames de qualidade, portanto, tende a se refletir diretamente nos resultados de saúde pública.
Programas de rastreamento bem estruturados também reduzem a necessidade de tratamentos mais invasivos, já que lesões pequenas costumam responder melhor a abordagens menos agressivas. A relação entre diagnóstico precoce e prognóstico favorável é hoje um dos pontos mais consolidados na literatura médica sobre o tema.
A organização de fluxos de atendimento entre atenção primária e serviços de imagem especializados também influencia o tempo até a confirmação diagnóstica. Quanto mais ágil essa articulação entre diferentes níveis de cuidado, menor tende a ser o intervalo entre a suspeita clínica e o início do tratamento.
A evolução dos protocolos de rastreamento pulmonar
Os protocolos de rastreamento por imagem passaram por revisões importantes nas últimas décadas, à medida que novas evidências científicas foram incorporadas às diretrizes internacionais. Como destaca Gustavo Khattar de Godoy, a padronização de critérios para definição de grupos de risco contribuiu para tornar os programas de triagem mais eficientes. A discussão sobre quem deve ser incluído nesses programas, no entanto, ainda gera debate entre especialistas de diferentes países.
Diretrizes mais recentes têm ampliado a faixa etária e o perfil de risco considerados elegíveis para o rastreamento. A tendência é que esses critérios continuem sendo revisados conforme novos estudos populacionais sejam publicados.
Médico com especialização em radiologia e diagnóstico por imagem, mestrado e doutorado em Clínica Médica pela Unicamp e pós-doutorado pelo Johns Hopkins Hospital, Gustavo Khattar de Godoy integra esse cenário de avanços voltados à detecção precoce. Para ele, a combinação entre tecnologia avançada e protocolos bem definidos segue sendo determinante para ampliar as chances de tratamento eficaz.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

