Levantamentos da Quaest, AtlasIntel, BTG/Nexus e Meio/Ideia apontam o presidente na liderança da corrida presidencial de 2026, com margens que variam bastante de um instituto para outro.
Faltando poucos meses para as convenções partidárias, a corrida pela Presidência da República começa a ganhar contornos mais nítidos, ainda que cercada de incertezas. Nas últimas semanas, quatro pesquisas de abrangência nacional mediram a intenção de voto dos brasileiros para outubro: Quaest, AtlasIntel, BTG/Nexus e Meio/Ideia. Em todas elas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece na frente do senador Flávio Bolsonaro, tanto no primeiro quanto no segundo turno, segundo compilação feita pela CartaCapital. O ponto que chama atenção, porém, não é a liderança em si, mas a diferença expressiva entre os números apresentados por cada instituto, o que tem gerado dúvidas sobre qual cenário está mais próximo da realidade e por que os levantamentos chegam a conclusões tão distintas sobre o tamanho da disputa.
O que mostram as pesquisas de julho
A pesquisa Quaest, divulgada em julho e realizada em parceria com a Genial, mostra que a rejeição ao senador Flávio Bolsonaro chegou a 57%, o maior patamar do ano entre os pré-candidatos, com aumento de 1 ponto percentual em relação ao levantamento anterior, de 10 de junho. Já o presidente Lula tem rejeição de 50%, enquanto 47% dos entrevistados afirmam conhecer o petista e votariam nele. A diferença entre os dois, de 12 pontos percentuais, é a maior registrada em todas as seis rodadas da pesquisa Quaest realizadas neste ano: a distância era de 8 pontos em fevereiro, recuou para 5 em abril e voltou a subir progressivamente até chegar aos 12 pontos atuais, conforme detalhou reportagem do jornal O Povo.
Os outros institutos, embora concordem com a liderança de Lula, apresentam margens mais estreitas. A AtlasIntel, em parceria com a Bloomberg, mediu 46,3% para o presidente contra 36,6% de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, com a vantagem chegando a quase 7 pontos no cenário de segundo turno, com 48,8% a 42,3%. A Meio/Ideia, por sua vez, apontou 40,4% para Lula e 32% para Flávio no primeiro turno, evoluindo para 45% a 40% no segundo. Já a BTG/Nexus foi a que mostrou o cenário mais apertado entre os quatro levantamentos: 40% para Lula contra 34% para Flávio no primeiro turno, com a vantagem encolhendo para apenas 3 pontos percentuais no segundo turno, com 47% a 44%, de acordo com os dados reunidos pela CartaCapital.
Por que a vantagem de Lula varia tanto entre os institutos
A diferença entre os números de cada pesquisa tem explicações que vão além de uma simples margem de erro estatística. Institutos distintos costumam usar metodologias de coleta diferentes, seja por telefone, presencialmente ou pela internet, além de recortes de amostra que podem captar perfis de eleitor com peso um pouco diferente entre si. Some-se a isso o próprio timing de cada levantamento: como as pesquisas foram feitas em momentos diferentes de julho, qualquer fato político relevante ocorrido entre uma coleta e outra pode se refletir de forma distinta nos números finais, especialmente em um cenário eleitoral que a própria pesquisa Quaest descreve como fortemente polarizado.
Vale considerar também que parte do eleitorado ainda não fechou posição. Segundo a Quaest, entre os que já escolheram um candidato, 65% dizem que o voto está decidido e não deve mudar até outubro, mas os outros 35% admitem que podem trocar de escolha caso algo relevante aconteça até a eleição. Esse contingente de eleitores mais maleável tende a ser justamente o que gera maior variação entre pesquisas feitas em momentos diferentes, já que pequenos eventos da conjuntura política, como decisões judiciais, crises econômicas pontuais ou desgastes de aliados, podem deslocar intenções de voto de forma mais visível nesse grupo do que no eleitorado com posição consolidada.
Rejeição, indecisos e fatores que ainda podem mudar o jogo
Outro dado que ajuda a entender o cenário atual é o comportamento do eleitorado mais à direita, mas não necessariamente bolsonarista. Segundo a pesquisa Quaest, a intenção de voto em Flávio Bolsonaro dentro desse grupo específico recuou de 82% para 74%, sinal de que parte desse eleitorado ainda avalia outras alternativas antes de consolidar apoio ao senador. A pesquisa também identificou que episódios internos à própria família Bolsonaro têm repercussão entre os eleitores: ao serem perguntados sobre o desentendimento entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro, 42% dos entrevistados disseram concordar mais com a ex-primeira-dama, enquanto 18% deram razão ao senador.
Do lado do governo, a pesquisa Quaest apontou que a investigação envolvendo o senador petista Jaques Wagner é vista como prejudicial à campanha de Lula por 37% dos entrevistados, enquanto 25% consideram o impacto pequeno. Esse tipo de percepção sobre desgastes políticos específicos ajuda a explicar por que a distância entre Lula e Flávio Bolsonaro oscilou ao longo do ano em vez de seguir uma trajetória linear: em fevereiro a diferença era de 8 pontos, chegou a apenas 5 em abril, voltou a crescer para 6 em maio, saltou para 10 em junho e atingiu 12 pontos em julho, segundo o levantamento da própria Quaest. Esse movimento de vai e vem reforça a leitura de que a disputa, embora tenha um favorito relativamente definido nas pesquisas até aqui, ainda está sujeita a mudanças significativas ao longo dos próximos meses.
O que essas variações significam para quem acompanha a corrida presidencial
Para o eleitor que tenta entender o cenário eleitoral de 2026 a partir das pesquisas, o principal aprendizado desse mês de julho é que a liderança de Lula aparece de forma consistente em todos os institutos, mas o tamanho dessa vantagem ainda não está definido, e dificilmente estará antes da definição oficial das candidaturas nas convenções partidárias. Analisar uma pesquisa isolada, sem considerar o conjunto de levantamentos feitos por diferentes institutos, tende a dar uma visão parcial da disputa, já que cada metodologia carrega suas próprias particularidades. Até outubro, novos eventos políticos e econômicos devem continuar influenciando esses números, especialmente entre a parcela de eleitores que a própria Quaest identifica como ainda aberta a mudar de escolha.
Fontes consultadas: O Povo: https://www.opovo.com.br/noticias/politica/eleicoes/2026/07/15/pesquisa-quaest-traz-dados-de-lula-e-flavio-bolsonaro-em-julho.html CartaCapital: https://www.cartacapital.com.br/politica/lula-x-flavio-saiba-como-esta-a-corrida-presidencial-segundo-as-pesquisas-de-julho/

